Potiguar retido na China há quase dois meses por causa do coronavírus não sabe quando voltará para casa

 Potiguar retido na China há quase dois meses por causa do coronavírus não sabe quando voltará  para casa

O potiguar Victor Hugo Brandão, de 34 anos, vive um drama “preso” em um navio atracado próximo à costa de Xangai, na China, há quase dois meses por causa da pandemia do novo coronavírus (Covid-19). Ele trabalha em uma empresa de cruzeiros, que suspendeu as viagens desde o dia 13 de fevereiro para evitar o contágio pela nova doença.

Victor Hugo é DJ e trabalha na área de entretenimento em um dos navios da empresa de cruzeiros. O natalense é um dos cerca de 1.500 tripulantes de diversos países que permanecem na embarcação, com capacidade para até 5 mil passageiros – todos foram evacuados. Segundo Brandão, nenhum tripulante apresenta sintomas da Covid-19.

“Estávamos fazendo cruzeiros pelo leste da Ásia. Quando a epidemia começou na China, nós decidimos cancelar os cruzeiros para evitar que o vírus entrasse aqui. Nenhum país aceita que a gente desembarque para voltar para casa. Estamos saudáveis, mas mesmo assim os portos que antes nos recebiam de braços abertos, hoje barram nossa entrada”, detalha Victor Hugo Brandão.

Isolado no navio desde o dia 13 de fevereiro, os funcionários fizeram duas paradas para reabastecimento em países do sudeste da Ásia, mas sem poder pisar em terra firme. A empresa faz o pedido com antecedência para que as comidas e o combustível sejam levados para dentro do navio. A próxima parada está prevista para o dia 20 de abril.

“A gente tá boiando no mar esperando para pegar os suprimentos no dia 20 e torcendo para que algum país nos aceite logo. Meu trabalho me permite experiências bacanas, em 4 anos já conheci 49 países, mas essa situação de ficar trancado nunca tinha me acontecido. Está sendo muito difícil. A gente até vê terra, mas não pode descer”, conta o DJ potiguar.

“Se por um lado estamos tranquilos pelo fato de que todos estamos saudáveis aqui, a saúde mental acaba sendo afetada por essa incerteza de quando poderemos voltar para casa. Tem dia que é muito difícil”

DJ está confinado em um dos dormitórios da embarcação — Foto: Cedida

DJ está confinado em um dos dormitórios da embarcação — Foto: Cedida

7 meses trabalhando, 3 meses em Natal

Victor Hugo Brandão deixou a capital potiguar no dia 17 de janeiro, esta foi a última vez que ele pisou em terra firme. O DJ se divide em um regime de sete meses de trabalho nas viagens do cruzeiro e até três meses de férias em Natal, cidade onde nasceu e cresceu.

De longe, ele acompanha a situação da pandemia na terra natal pelo noticiário e mantém contato com amigos e familiares, que moram no Rio Grande do Norte.

“Acompanho com preocupação porque vejo que muita gente não está levando isso a sério. Aqui na Ásia onde estou, a situação ficou muito feia e isso deveria servir de exemplo para as pessoas no Brasil. Por aqui, eles temem que uma segunda onda da doença aconteça. Tenho certeza que isso vai passar. Agora, só depende da sociedade. A economia é muito importante, mas a vida humana deve vir sempre em primeiro lugar”, ressalta.

G1/RN

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