RN tem condições de voltar a liderar produção de camarão, afirma líder dos criadores

 RN tem condições de voltar a liderar produção de camarão, afirma líder dos criadores

Conhecido por ser uma potência produtora de camarão, o Rio Grande do Norte teve o primeiro lugar na produção do crustáceo tomado. De acordo com a Pesquisa de Pecuária Municipal 2021 (PPM) do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), o RN é responsável por 26,84% da produção nacional, o segundo maior indicador do Brasil, atrás apenas do Ceará. Mas os tempos de liderança podem voltar. Pelo menos é o que acredita a Associação Brasileira de Criadores de Camarão (ABCC), que defende este ponto de vista mesmo que não haja crescimento previsto para este ano. Para isto, a entidade defende que o estado precisa atrair investidores, interiorizar a carcinicultura, voltar a focar na exportação e também na venda do alimento processado em vez de apenas fresco.

Tratado pela ABCC como “estrela da gastronomia mundial” e “sonho de consumo do mundo todo”, o camarão ganha peso importante na economia estadual. Em 2021, foram produzidas 21,1 mil toneladas do crustáceo em todo o estado, segundo o levantamento do IBGE, movimentando cerca de R$ 604,5 milhões no mercado potiguar. A primeira colocada do estado foi a cidade de Pendências. Ela também foi a terceira maior produtora nacional, atrás de Aracati e Acaraú, ambas no Ceará. Itamar Rocha, atual presidente da ABCC, acredita que a produção não deve ter alterações neste ano. “Não vai ser melhor. Deve ser a mesma coisa do ano passado”, estimou.

A carcinicultura potiguar, segundo Rocha, foi pioneira no Brasil. “Saiu na frente e todo mundo aprendeu com o Rio Grande do Norte. Daí se expandiu para o Ceará, Paraíba, Bahia… A gente vê que as condições do RN são muito boas. Tem uma costa espetacular para ser utilizada com a água do mar, tem a água do subsolo com o aquífero Jandaíra. Tem o Rio Açu, que tem água apropriada para o cultivo”, relembrou. No entanto, foi a atuação no interior que fez do Ceará a nova potência no cultivo do crustáceo. “Mas o Ceará passou o RN e passou muito. Não foi pouco. E é nos interiores. Eu escrevi em um artigo: o Ceará, Paraíba, Alagoas e Sergipe estão explorando muito o camarão do pacífico nas águas interiores”, disse.

o presidente da associação afirmou que este mercado ainda tem expectativa de crescimento no Brasil e que o Rio Grande do Norte tem enorme potencial. “Potencial para 60 mil ou 100 mil hectares com águas que não dependem de chuva. O RN, se der um sinal para atrair investidores, têm condições de liderar esse setor”, apontou.

Entre os investimentos necessários, segundo o presidente da entidade, está a criação de condições para cultivo do crustáceo no interior do estado. “Se fizer um canal levando água do mar e dois canais de drenagem jogando a água de volta, nós vamos interiorizar as oportunidades que o litoral não deixa. O litoral é uma das grandes empresas. Você não vai conseguir acesso para água e bombear para 2 a 5 km. Qual a utilização da água salgada? Macroalgas, ostras, peixes marinhos, camarão e lagosta. Não é para beber. Mas se você fizer isso, a riqueza vai aflorar”, avaliou.

Ele também reclama da postura do poder público em relação ao cultivo de alguns tipos de camarão no interior do Nordeste que não são originários da costa brasileira e que falta incentivo do governo no RN. “Não tem uma obra, um risco no chão. Não tem um poste. Não tem nada do governo. Estabelecemos uma ordem econômica nova, no semiárido do Nordeste, com uma espécie que não é do Brasil, que não tem na nossa costa. Infelizmente, o governo diz que a espécie é perigosa. Tem que botar bacia disso, daquilo. Tem que pegar outorga para pegar água salgada, outorga para soltar água salgada, tem que botar rede para o camarão não fugir. Como se tivesse uma rede do Pacífico para o Atlântico”, reclamou.

Para Rocha, o crescimento também passa pelo incentivo do micro e pequeno produtor do crustáceo. “Cadê a estruturação da nossa cadeia produtiva e as indústrias de processamento para a gente botar o camarão para a interiorização? Nós não temos. Na intermediação, os caras estão vendendo camarão por preço mais baixo do que a costela, do que qualquer carne. Qualquer subproduto da carne bovina é mais caro que o camarão”, relata. Ele também reclama que o preço do crustáceo sofre defasagem e que isso prejudica os produtores. “Nós não queremos que o camarão seja caro. Mas o camarão que a gente vende hoje, de 10g, e vende por R$ 18 a R$ 20 o kg, esse camarão era para ser R$ 24 o kg. E aí estava todo mundo em uma situação muito diferente”, frisou.

Ainda segundo o presidente da associação, a situação também interfere na geração de empregos no segmento. “Hoje ainda tem gente que coloca empecilhos em uma atividade nata do RN. Ela contribui para a economia dos municípios, geração de oportunidades. Temos indústrias de processamento, em Pendências, que empregam 500 mulheres. Já tivemos 3 mil empregos com carteira assinada na região de Pendências, Porto do Mangue, Carnaubais e Macau, em 2003. Teve uma redução”, afirmou.

Mudar forma de oferecer camarão é solução, diz especialista

Nas alterações defendidas pelo segmento, está o crescimento da produção do crustáceo visando também a exportação. “Em 2003 produzimos 50% do que o Equador produziu em 2003. E exportamos 32%. O Equador esse ano vai produzir 1,260 milhão de toneladas e a gente vai produzir 26 mil [toneladas]. A gente não vai exportar nada. Qual é a lógica?”, argumentou.

No entanto, segundo Itamar Rocha, o Brasil assiste de forma passiva a outros países tomando maior corpo em relação à carcinicultura. “Equador, Arábia Saudita, Indonésia, todos crescendo e a gente não. Na exportação principalmente e na interiorização. Conheço todos os países que produzem camarão no mundo. E todo mundo tem medo do Brasil. Nós é que estamos igual a tartaruga, cabeça debaixo da mesa, acovardados e deixando.”, defendeu.

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