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Lula diz que “não tem moral” para falar contra greve de servidores federais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abordou, nesta quarta-feira 10, a possibilidade iminente de greves por diversas categorias de servidores federais em todo o Brasil. Durante uma solenidade realizada no Palácio do Planalto, Lula defendeu o direito dos trabalhadores de recorrerem à greve, mesmo que não seja positivo para o governo. O presidente brincou sobre sua própria origem política, afirmando que “não tem moral” para criticar paralisações, dado seu histórico de líder sindical.

Os comentários de Lula ocorreram no mesmo dia em que o governo convocou uma reunião extraordinária com os servidores, na tentativa de negociar um acordo sobre a recomposição salarial. Durante a abertura do evento que lançou 112 mil unidades do programa Minha Casa Minha Vida Rural e Entidades, o presidente mencionou a ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, destacando os desafios que ela enfrenta.

“Vocês acompanham pela imprensa que ela está fervilhando de problemas. Ou seja, eu até acho que eu não deveria ter deixado ela vir para cá, para ela ficar lá negociando antes que a gente receba de presente as greves”, comentou o presidente. “A gente pode até não gostar, mas elas são um direito democrático dos trabalhadores se não se sentirem atendidos pelo governo”, acrescentou.

Lula também fez referência ao seu próprio passado político, lembrando sua participação em algumas das maiores greves do país, incluindo as dos metalúrgicos do ABC Paulista entre 1978 e 1980. “Eu não tenho moral para falar contra greve, porque eu nasci das greves. Então eu sou obrigado a reconhecer”, afirmou.

Enquanto o governo enfrenta uma série de demandas e insatisfações por parte dos servidores federais, algumas categorias ameaçam iniciar greves em protesto contra a proposta apresentada pelo governo envolvendo a recomposição salarial e os valores dos benefícios, como auxílio-alimentação, saúde e creche.

Diante da iminência de greves, o governo tomou medidas extraordinárias, adiantando a reunião da Mesa Nacional de Negociação Permanente, que estava originalmente prevista apenas para junho. O encontro teve início às 14h30, na sede do Ministério da Gestão.

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